A Justiça de Cuiabá decidiu negar o pedido de prisão preventiva de dois investigados acusados de participar de um esquema que desviou R$ 28 milhões da Cooperativa Agrícola de Produtores de Cana de Campo Novo do Parecis (Coprodia). A decisão, assinada pela juíza da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, Alethea Assunção Santos, foi tomada no dia 13 deste mês. Apesar da gravidade das acusações, Josué Carneiro das Neves e Aberi Braz Parreira Neto continuam respondendo ao processo em liberdade.

Um esquema milionário em Campo Novo do Parecis
A “Operação Etanol”, deflagrada pela Polícia Civil em julho de 2017, revelou um esquema de corrupção que envolvia a Coprodia, uma cooperativa composta por 49 produtores de álcool e cana-de-açúcar. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), os investigados realizavam operações fraudulentas para desviar grandes quantias de dinheiro. Josué Carneiro e Aberi Braz, junto com outros oito denunciados, teriam participado de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e furto mediante fraude.
De acordo com as investigações, os acusados simulavam contratos de prestação de serviços inexistentes, utilizando empresas como “Maxmobi – Marketing Digital Ltda Epp” e “Max Person Comunicação Eireli Epp” para receber os valores desviados. O dinheiro subtraído era posteriormente dividido entre os participantes do esquema.
Ministério Público aponta dificuldades nas investigações
O MPE apontou dificuldades em localizar Josué e Aberi para citação pessoal e, por isso, requisitou a citação via edital. Além disso, o órgão justificou o pedido de prisão preventiva como forma de garantir o andamento do processo. O MPE também destacou o risco de os acusados praticarem novos crimes ou atrapalharem as investigações em curso. Assim, reforçou a necessidade de medidas mais rigorosas para assegurar o cumprimento da Justiça.
Entretanto, a juíza Alethea Assunção Santos não considerou os argumentos suficientes para justificar a prisão preventiva. Segundo a decisão, o Ministério Público não demonstrou de forma concreta a necessidade da medida cautelar mais grave, optando por manter os acusados em liberdade enquanto o processo segue seu curso.
Justiça em equilíbrio entre liberdade e punição
A decisão de negar a prisão preventiva reacende o debate sobre o uso dessa medida em casos de crimes financeiros. Embora a gravidade do suposto desvio e as evidências apresentadas pelo MPE reforcem o impacto do esquema, a juíza considerou que não havia elementos que justificassem a privação de liberdade dos investigados neste momento.
O caso também destaca as dificuldades enfrentadas pela Justiça e pelos órgãos de fiscalização em investigar e responsabilizar crimes financeiros complexos, especialmente aqueles que envolvem empresas e contratos fraudulentos.
Perguntas frequentes
Perguntas frequentes
A Operação Etanol investigou o desvio de R$ 28 milhões da Coprodia, uma cooperativa formada por produtores de álcool e cana-de-açúcar da região.
A Justiça negou o pedido porque entendeu que o Ministério Público não apresentou provas concretas suficientes para justificar a prisão preventiva dos investigados.
Os investigados respondem por crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e furto por meio de fraude e abuso de confiança.

