Pacientes internados no Hospital Regional Dr. Antônio Fontes, em Cáceres, denunciaram atendimentos realizados diante de grupos numerosos de estudantes de medicina. O caso chegou ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) e levantou questionamentos sobre a organização das atividades acadêmicas dentro da unidade.
O Centro Acadêmico Livre de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) encaminhou a denúncia ao conselho. O grupo apontou superlotação nos espaços hospitalares, falhas na supervisão dos alunos e possível tratamento desigual entre estudantes da universidade pública e de uma instituição privada.
Paciente relata constrangimento durante consulta
A denúncia mais grave apareceu em um registro feito no Portal do Ouvidor SUS. Segundo a paciente, uma médica entrou no quarto acompanhada por mais de oito estudantes da FAPAN e da Unemat.
Ela afirmou que se sentiu como um “objeto exposto” enquanto o grupo acompanhava a discussão sobre seu caso clínico. O relato passou a integrar os documentos analisados pelo CRM-MT.
Secretaria reconhece excesso de estudantes
Um ofício da Secretaria de Estado de Saúde, assinado em setembro de 2025, confirmou parte dos problemas relatados. A pasta enviou o documento à Unemat e à IDOMED/FAPAN.

No texto, a secretaria reconheceu “aglomeração”, “tumulto”, “constrangimento aos pacientes” e excesso de estudantes em ambientes hospitalares. O documento reforçou a preocupação com a condução dos campos de prática médica dentro da unidade.
Portaria estabelece limite para uso acadêmico
A denúncia também cita critérios previstos na Portaria nº 650, do Ministério da Educação, que regulamenta a estrutura necessária para cursos de medicina em hospitais de ensino.
Entre as exigências, a norma determina número máximo de três alunos por equipe de atenção básica, além da inexistência de compartilhamento de leitos do SUS para utilização acadêmica. O texto também prevê estrutura mínima de atendimento e disponibilidade de leitos exclusivos para o curso.
Caso amplia debate sobre formação médica
A denúncia reacendeu discussões sobre os limites da participação de estudantes em hospitais públicos. Embora a prática faça parte da formação médica, o episódio levantou dúvidas sobre supervisão, quantidade de alunos por atendimento e preservação da privacidade dos pacientes.
Até o momento, os envolvidos não divulgaram informações sobre possíveis medidas adotadas após o encaminhamento do caso ao CRM-MT.

