O Conselho Federal de Medicina estuda editar uma norma para impedir o registro profissional de estudantes reprovados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed. A discussão ganhou força após a divulgação dos resultados mais recentes, que colocaram Cáceres, em Mato Grosso, como o município com pior desempenho do Brasil. O cenário, portanto, acendeu um alerta nacional sobre a qualidade da formação médica e os riscos diretos à população.
A proposta já recebeu aval da plenária do Conselho Federal de Medicina, mas ainda depende de deliberação final para se transformar em resolução. A intenção é impedir o registro nos conselhos regionais de estudantes que não atinjam o nível mínimo de proficiência. Logo após a divulgação dos dados, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, afirmou que os números indicam risco à saúde e à segurança da sociedade, assim reforçando a necessidade de medidas mais rigorosas.

CRM-MT critica duramente desempenho de cursos em Cáceres
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso reagiu com dureza aos resultados do Enamed 2025. Segundo o conselho, Cáceres apresentou o pior desempenho do país na avaliação. Mais de 35% dos formandos vinculados a cursos da região não atingiram o nível mínimo de proficiência. Como resultado, o CRM-MT afirmou que a situação coloca a população em risco e expõe falhas graves no ensino médico local. Diante dos números, o CRM-MT defende o fechamento de cursos reprovados e critica as punições consideradas brandas aplicadas pelo Ministério da Educação. Além disso, a entidade cobra a aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina, nos moldes da OAB. Enquanto isso, o conselho destaca que faculdades privadas com fins lucrativos concentram os piores desempenhos.
Dados nacionais mostram contraste no ensino médico
Segundo o MEC, quatro em cada dez estudantes de medicina de faculdades privadas com fins lucrativos não atingiram a nota mínima no Enamed 2025. Apenas 57,2% desse grupo foram considerados aptos. Em contrapartida, universidades federais registraram média de 83,1% de proficiência, enquanto as estaduais alcançaram 86,6%. Já as instituições privadas sem fins lucrativos tiveram desempenho intermediário, com 70,1%.
O exame avaliou 351 cursos de medicina em todo o país e contou com cerca de 89 mil participantes. Ao todo, 107 cursos ficaram abaixo do mínimo exigido. Desses, 54 podem sofrer punições como redução de vagas ou suspensão de novas matrículas. Por fim, especialistas afirmam que o caso de Cáceres simboliza os efeitos da expansão desordenada de cursos privados e reforça a urgência de rigor na formação médica.
Perguntas e respostas:
Perguntas frequentes
Porque a maioria dos cursos não atingiu a proficiência mínima exigida.
Impedir o registro profissional de estudantes reprovados.
O fechamento de cursos reprovados e mais rigor do MEC.

