O governo dos Estados Unidos concluiu a investigação comercial aberta contra o Brasil em julho do ano passado e propôs medidas que podem resultar em tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. As sanções ainda não foram adotadas e passarão por consulta pública e novas negociações entre os dois países.
Pagamentos digitais entram na mira
O relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) afirma que práticas brasileiras consideradas “irrazoáveis” estariam restringindo ou onerando o comércio norte-americano.
Entre os pontos citados estão comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
A investigação também aborda o ambiente de pagamentos digitais no Brasil, setor em que o PIX ampliou a concorrência e reduziu a dependência de sistemas tradicionais operados por empresas internacionais.
Consulta pública segue até julho
O governo norte-americano receberá manifestações da sociedade até 1º de julho. Uma audiência pública está marcada para 6 de julho.
Antes de qualquer decisão definitiva, Washington pretende manter o diálogo com o governo brasileiro. O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as conversas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump se intensificaram nas últimas semanas.
“Continuamos enfrentando divergências significativas na resolução das questões identificadas nesta investigação”, declarou Greer em nota.
Movimento ocorre em meio a aproximações políticas
No mesmo dia em que anunciou o resultado da investigação, Donald Trump publicou uma mensagem na rede Truth Social ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em uma das imagens divulgadas, também aparece o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Trump afirmou que foi “muito bom” receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval e destacou que o parlamentar “ama muito o seu país, o Brasil”.
As próximas semanas serão decisivas para definir se as propostas avançarão ou se Brasil e Estados Unidos chegarão a um acordo antes da adoção de medidas comerciais.

