No Pantanal, onde a vida comunitária é pautada pelo respeito ao próximo e pela solidariedade que une nossos ribeirinhos e moradores das cidades, uma notícia vinda de Rondonópolis causou profundo desconforto. A apresentação de uma moção de congratulação na Câmara Municipal, destinada à empresária Lidiane Campos Sachetti, reacendeu feridas de um passado trágico que ainda ecoa na memória da população mato-grossense.
Para quem vive a rotina das nossas cidades pantaneiras, onde o cuidado com o outro é um valor inegociável, a iniciativa da vereadora Dra. Luciana Horta (PL) soa como um descompasso com o sentimento coletivo. A homenagem, que deveria celebrar méritos, acabou trazendo à tona o peso de um acidente ocorrido em 2019, que resultou na morte de uma criança e deixou uma marca indelével na sociedade.
O peso da memória e a ética na política
O episódio, que voltou a ser o centro das atenções, remete a um atropelamento que chocou o estado. Na época, a empresária foi investigada por homicídio culposo e omissão de socorro após atingir pedestres. O fato de uma figura pública propor uma honraria a alguém cujo nome está ligado a um evento de tamanha dor levanta questionamentos sobre os critérios utilizados pelo Legislativo para conceder títulos e moções.
Em nossas comunidades, onde a palavra e a conduta são pilares da convivência, a política é vista como um instrumento de melhoria para o povo. Quando uma instituição oficial ignora o histórico de um fato que causou tanta comoção, a sensação de distanciamento entre os representantes e os representados aumenta, gerando um debate necessário sobre a responsabilidade de quem ocupa uma cadeira na Câmara.
Repercussão nos bastidores e o papel do Legislativo
A moção não passou despercebida pelos corredores políticos. A ligação da homenageada com figuras influentes do cenário estadual, como o presidente do Republicanos, Adilton Sachetti, adicionou uma camada de complexidade à discussão. Analistas locais apontam que a escolha da homenageada pode ter sido influenciada por articulações partidárias, o que, para muitos, desvirtua o propósito original de uma moção de congratulação.
Enquanto o Pantanal segue seu ciclo natural de cheias e vazantes, renovando a vida a cada estação, a política local parece, por vezes, estagnada em práticas que ignoram o clamor popular. A indignação manifestada por parte da população de Rondonópolis é um lembrete de que o poder público não deve ser usado para apagar fatos ou ignorar a dor das famílias que ainda buscam por justiça.
O que a sociedade espera de seus representantes
O caso serve como um alerta para a importância da transparência e da sensibilidade na gestão pública. Em um estado que se orgulha de sua gente trabalhadora e de sua natureza exuberante, a ética deve ser o norte de qualquer homenagem. A pergunta que fica para os moradores de Rondonópolis — e que ressoa em todo o Mato Grosso — é sobre qual mensagem o Legislativo deseja passar ao homenagear figuras envolvidas em episódios de grande impacto social.
Perguntas frequentes
A proposta foi apresentada pela vereadora Dra. Luciana Horta, do Partido Liberal (PL).
A revolta ocorre porque a homenageada, Lidiane Campos Sachetti, esteve envolvida em um acidente de trânsito em 2019 que resultou na morte de uma criança.
A Polícia Civil indiciou a empresária por homicídio culposo e omissão de socorro, após o atropelamento que vitimou a criança e deixou outras pessoas feridas.

