O franco-senegalês Mamadou Gaye, que ocupou o cargo de cônsul honorário da França na Bahia entre 2019 e 2024, trava uma batalha judicial após sofrer injúrias raciais enquanto exercia sua função diplomática. As agressões ocorreram entre 2023 e 2024 e trouxeram à tona debates sobre a eficácia das punições para crimes de racismo no Brasil.
Ex-cônsul da França na Bahia enfrenta batalha judicial por injúria racial pic.twitter.com/k9eH7tV5ci
— O Matogrossense (@o_matogrossense) January 27, 2025
Em maio de 2023, Gaye negou um pedido de Fabien Liquori, um cidadão francês residente na Bahia, que buscava sua intervenção em assuntos burocráticos relacionados à França — um tipo de demanda que não fazia parte das atribuições do consulado. Diante da recusa, Liquori enviou diversos e-mails ofensivos, nos quais questionou a competência de Gaye e o atacou com comentários racistas. Em uma das mensagens, ele chamou Gaye de “tirano africano” e afirmou que ele deveria “voltar ao seu buraco parisiense”.
A resposta judicial e o impacto na justiça brasileira
Após receber os ataques, Gaye processou Liquori por injúria racial. Em janeiro de 2024, o Tribunal de Justiça da Bahia condenou Liquori a pagar R$ 3 mil por danos morais, mas não exigiu nenhuma retratação pública. Insatisfeito com a decisão, Gaye entrou com recurso. Porém, em dezembro de 2024, o tribunal manteve o valor da indenização e novamente ignorou o pedido de retratação. Gaye criticou o resultado, dizendo que a decisão tratou o crime com pouco peso e falhou em oferecer justiça adequada.
Racismo no Brasil: um problema persistente
O caso de Gaye reflete a recorrência de episódios de racismo no Brasil. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou mais de 5,2 mil violações relacionadas ao racismo e injúria racial pelo Disque 100 em 2024. Apesar de a legislação brasileira considerar o racismo um crime inafiançável e imprescritível, muitas punições continuam brandas ou insuficientes. Especialistas apontam que o judiciário ainda subestima a gravidade desses crimes, resultando em penalidades que não desencorajam essas práticas.
Perguntas e respostas curiosas sobre o caso
Quem é Mamadou Gaye?
Mamadou Gaye é um franco-senegalês que exerceu o cargo de cônsul honorário da França na Bahia de 2019 a 2024.
Por que as ofensas raciais contra Gaye começaram?
As ofensas começaram após Gaye negar um pedido de intervenção em assuntos burocráticos relacionados à França, feito por Fabien Liquori.
O que a justiça decidiu sobre o caso?
A justiça condenou Liquori a pagar R$ 3 mil por danos morais, mas não exigiu uma retratação pública, o que gerou críticas de Gaye.

